sábado, 19 de maio de 2018

O Golem Ocidental

Marten Eskil Winge
A palavra Goylem, no yiddish, se refere às características de um ser lento, imbecil, tosco, desajeitado. Ela vem de uma palavra mais antiga do misticismo judaico, Golem, que se refere a um “ser” sem alma, uma construção artificial e puramente material de algo que semelhasse a um ser animado, em suma, um boneco de barro. Este boneco de barro, depois de modelado, receberia energia de algum lugar para que “se anime”, como se tivesse uma alma. É o protótipo do Frankenstein ou até mesmo de um robô.

Mas o termo Golem não foi usado no misticismo para significar um robô ou qualquer construção de engenharia. Ele remete ao homem, propriamente falando, visa descrever pessoas, conjuntos de pessoas ou fenômenos coletivos de baixa consciência ou de consciência inferior. Haveriam estágios na consciência humana nos quais os indivíduos seriam alocados, de modo que algumas pessoas estariam mais próximas do intelecto divino enquanto outras (na verdade, a imensa maioria das pessoas, as massas) estariam tão distantes do divino e participariam tão pouco da natureza inteligível que seu ser se identificaria à matéria. A matéria é o reino da irracionalidade, da temporalidade, da contingência, da passividade, da brutalidade e da feiura. O Golem, por ser feito a partir da matéria e não emanar do espírito transcendente, é por natureza um ser feio, bruto e sem salvação, condenado a viver na lama. Mais do que isso, o Golem, ao ser artificialmente animado, passa a ser uma força ativa na corrupção do divino e do sagrado, porque todos seus atos partem da materialidade, de sua essência pútrida e caótica. O contato do Golem com tudo que participa no e emana do intelecto divino faz com que ele o obscureça, o destrua, o suje, o corrompa, tal como a lama o faz no marfim e as paixões o fazem na alma purificada. É dever das forças divinas, para se manterem divinas, combater o Golem.

As elites financeiras, intelectuais e políticas ocidentais, contudo, promovem por todos os meios a disseminação do Golem. Protegem-no, colocam-no no pedestal, mimam-no e castigam a todos aqueles que não se curvam ao monstrinho idolatrado. O imenso Golem ocidental se plurifica em inúmeros aspectos: LGBT, feminismo, identitarismo, ateísmo, mas também tudo que tende a “modernizar” a Igreja Católica ou a desenvolver novas “religiões” como o neopentecostalismo, new-age, “espiritualidade feminina” etc. Nos memes, promove-se que “se é tosco, é bom”, e tudo que estiver carregado de uma estética genuinamente espiritual, firme, ereta, estoica, nostálgica, gélida, contemplativa é imediatamente denunciado como “fascismo” ou “nazismo”, bodes expiatórios projetados pelos mesmos criadores do Golem. Platão passa a ser denunciado como “o pai do totalitarismo”, e vem a ser gradativamente expulso, assim, dos estudos acadêmicos e, consequentemente, do imaginário ocidental. A Coreia do Norte, mesmo que cultue símbolos e concepções soviéticas, é denunciada pelos “comunistas” ocidentais como um regime de loucos – pois estes “comunistas” não conseguem conceber um mundo sem iphone, Spotify e pornografia. De novo a Coreia do Norte, mesmo que proteja o patrimônio popular e promova a religião popular, proteja a beleza nas artes, promova o nacionalismo, o amor e a família, a “direita”, pelos mesmos motivos dos “comunistas”, o considera um regime digno do desaparecimento orquestrado pelos EUA. Coreia do Norte é um regime firme, inabalável e protetor da ordem e do sublime – este é o motivo real pelo qual as massas ocidentais, bandos de Golens por todos os lados, se veem por ela ameaçadas, mas não se veem ameaçados quando um humorista ou um youtuber passa a defender o fascismo e o nazismo, apresentando como razões os aspectos igualitários e hedonistas nestes regimes.

A indústria alimentícia provavelmente seja o principal responsável por toda esta decadência permanente. A baixa testosterona, o desequilíbrio hormonal e a deficiência de nutrientes in natura são os responsáveis por grande parte da fragilidade psíquica das massas. Soma-se a isso os hábitos cada vez mais sedentários, a falta de uma educação robusta no sentido de uma paideia ou uma Bildung, soma-se ainda os estimulantes da desordem mental que são as drogas, as raves, as redes sociais, os apps, os jogos eletrônicos, os desenhos animados cada vez mais toscos e deploráveis, e se torna claro que o resultado não poderia ser diferente. O liberalismo, que induz a “cada um escolher seu caminho”, leva não à realização das escolhas, mas à desordem, porque simplesmente não há um caminho que não seja o de simplesmente viver a vida. A pluralização das tribos urbanas, dos costumes, dos hábitos promovidos por meio de Hollywood, gerou uma multiplicação de bolhas psicológicas e sociais aos quais cada indivíduo se identificaria dentro de um universo de milhões de outras bolhas. Estas bolhas seriam como universos à parte, isolados uns dos outros. O resultado não pode ser senão a incapacidade do diálogo, a inutilização da linguagem (porque faltam duas coisas: uma língua comum, uma vez que os conceitos são específicos a cada bolha, e em segundo lugar o bom senso, uma vez que as massas estão cada vez mais impulsivas e apaixonadas) e, consequentemente, a dissolução da unidade sócio-política, religiosa e cultural das comunidades.

Estas massas (o Golem) foram desenvolvidas por meio de teorias falsas (Ciências Sociais, “Teoria Crítica”, “Escola de Frankfurt”, “Escola Austríaca” etc.), gurus falsos (Olavo de Carvalho é só um exemplo, porque a “esquerda” também tem os seus no meio acadêmico e, mais do que isso, tanto a esquerda quanto a direita absorvem de Rihanna, Beyoncé, Madonna etc. os mesmos ideais) que as “ensinam”; e, por meio de mecanismos dispostos às elites apenas, como são os estúdios de cinema, centros de “estudos”, órgãos internacionais, indústrias alimentícia, farmacêutica e de transportes, por meio do lobby e do suborno multi-milionário, por meio do dinheiro que financia seguranças e projetos “culturais” como os do Santander, por meio destes mecanismos as elites injetam a energia necessária para o Golem se manter “vivo”, ativo e atuante na degradação permanente de tudo que é belo e sublime. Não importa, para o Golem, a verdade objetiva, e ele a defenderá apenas quando lhe servir como utensílio; o Golem atua apenas segundo uma diretriz espiritual ou, melhor no seu caso, “materialista”. Ateus e “religiosos” se unem no combate ao misticismo e ao silêncio, direita e esquerda se unem contra o “totalitarismo” da ordem transcendente do Estado, “socialistas” e os adeptos do livre-mercado se unem em favor da “liberdade individual” e assim por diante.

Por meio desses mecanismos acima, o Golem recebe a energia necessária para atuar, e ao mesmo tempo é controlado, pois, não tendo vida, é como um boneco de barro cujas escolhas devem ser determinadas por quem o controla. As mídias servem às elites ao mesmo tempo como meios de teste (uma espécie de termômetro social que mede a reação das massas, que ficou cada vez mais fácil e eficiente com o surgimento das redes sociais) e como estimulantes que a guiam para certas ações. Basta uma notícia catastrófica, retirada de um imenso oceano de acontecimentos cotidianos, ser divulgada para gerar a psicose nas massas de gentalha egoístas e com baixa auto-estima, impulsionando-as a se precaver de um perigo ou de uma epidemia que, na verdade, é ilusória. Assim se manipulou, por exemplo, a mente das mulheres em primeiro lugar, fazendo-as crer que homens são estupradores em potencial, e agora todo homem que demonstrar força e auto-suficiência é visto como uma ameaça; as mulheres só se unem com gays ou então com elas mesmas entre si. Mas antes desse fenômeno, a baixa auto-estima delas foi promovida por personagens como Madonna, Rihanna: todas as moças quiseram ser como elas, porque só elas estão supostamente “no topo”, mesmo quando nenhum homem deu atenção a mulheres deste tipo. A paranoia veio como resposta por parte do feminismo: disseminou-se que existe um “padrão estético” que oprime as mulheres, quando na verdade são elas mesmas a se imporem este padrão e seguirem por conta própria o abismo; aliás, as mesmas que disseminam esta paranoia são as que imitam o padrão estético e o promovem, idolatrando as personagens bestiais da “cultura” pop americana.

O resultado dessa paranoia é, evidentemente, uma reação emocional abusiva contra as “ameaças” que estiverem ao redor. E é ameaçador o que é contemplativo, solitário, independente, impenetrável, onipresente, inteligente, frio. Os poucos exemplos de homens conscientes neste mar de gente doente acabam na iminência constante de serem vítimas fatais do linchamento e da barbárie cometida por aqueles que se dizem muito “igualitários” e “tolerantes”. A quantidade de gente doente e a salvaguarda dos mecanismos sócio-políticos sobre todos impõe uma mentalidade coletiva, impõe certos valores que, não obstante, não são, como creem as classes acadêmicas mais vergonhosas, “mutáveis por natureza” (o homem pode fazer a cirurgia que quiser, ele permanecerá sempre homem, e se fizer a cirurgia será apenas um homem defeituoso, imperfeito, doente). A prova de que o essencial não é mutável por natureza é a de que, terminado o financiamento para os movimentos sociais e para exposições pútridas como a do Santander, toda essa paranoia passa a se desfazer lentamente e o Golem volta a ser aquilo que é: um boneco de barro sem vida e sem ação. As chamadas revoluções coloridas e laranjas e o chamado maydan só aconteceram quando houve financiamento por partes das elites, tendo terminado no dia seguinte ao “fechamento das torneiras”, o que permitiu ao Michel Temer seguir com seus projetos com a certeza de termina-los em paz tranquila; algo semelhante se tornou claro em Israel: quando George Soros soube que o FEMEN, grupo internacional financiado por ele, tinha se instalado no dito país, imediatamente ele cortou o financiamento, e o FEMEN enfrentou um colossal desaparecimento e enfraquecimento, de modo que a responsável pelo movimento no Brasil passou da “esquerda” para a “direita”, entrando inclusive para uma igreja evangélica, que é só apenas um outro braço do mesmo Golem. Outra prova é a consciência que as elites têm daquilo que fazem, motivo pelo qual as famílias que constituem estas elites permanecem patriarcais e não aderem às modas alimentares das massas; os filhos dos donos da Coca-cola, Google, Microsoft são impedidos de ou bastante monitorados ao consumir os produtos dos seus pais e assim por diante.

O objetivo das elites para com este Golem é um só: ter um escravo. As elites, por meio de magia (lembrar dos mitos antigos referentes à figura do ferreiro que manipula a matéria para gerar uma ferramenta capaz de grandes feitos, os anões dos Nibelungos, Saruman do LOTR, que em todas as comunidades tradicionais é visto com desconfiança, mas no Harry Potter é promovido como algo positivo, o “bruxo” se opõe ao “trouxa”) destroem seus inimigos históricos, que são os impérios e as comunidades orgânicas. Os descendentes das nossas elites são as mesmas que fundaram a maçonaria, promoveram a queda da Igreja Católica, a independência dos EUA, a revolução russa, as duas guerras mundiais, o laicismo mas também o protestantismo cuja moral permite a riqueza e o lobby, o tráfico de drogas internacional, a dissolução das fronteiras entre os países sul-asiáticos, médio-orientais, europeus e, agora mais claramente, latino-americanos (por meio de intrigas entre brasileiros e venezuelanos, por exemplo, que seguem o mesmo padrão do que é feito em outros lugares) etc. O objetivo imediato é obter uma condição de escravidão para muitos e de tirania para poucos: o dinheiro é o meio fluido e contínuo, e as instituições políticas e internacionais são os moldes rígidos que controlam a fluidez do primeiro; a dissolução das comunidades tradicionais e orgânicas é necessária para cindir as uniões que são externas a este universo internacional, tornando os indivíduos dependentes de um novo pacto social, que é esta “sociedade internacional” alicerçada em valores universais, em bancos mundiais, nos ironicamente chamados Direitos Humanos. Quanto menos comunidades tradicionais, mais lucro para eles, isto é, mais gentalha trabalhando 12h por dia para pagar suas contas que se acumulam, consumindo porcaria dos supermercados e do entretenimento, tornando-se ainda menos saudável e, assim, mais vulnerável ao sistema em voga. E estando mais vulnerável, se torna impulsiva, doente, destrutiva – em suma, uma ferramenta descartável. É um ciclo bem pensado.

E quando disserem: “bem, mas funciona, não funciona?”, devemos responder: Mordor também funciona, o inferno também funciona. Orcs, lembremo-nos, são descendentes de elfos que foram transformados, ao longo de muito tempo de controle, seleção biológica artificial e tirania perversa, em monstros irreconhecíveis, máquinas destrutivas do que há de divino na Terra Média. Os reinos élficos, e antes destes os dos homens como Gondor e Rohan, rigidamente estabelecidos em torno de ideais firmes e sacros, tornam-se objetos de ódio e destruição irracionais por parte dos orcs.

No âmbito da natalidade as elites também promovem a banalidade, como em todos os outros. Enquanto os homens mais saudáveis, aqueles que não admitem uma condição de vida pútrida, tendem a trabalhar como escravos, muitas vezes em altos cargos intelectuais e políticos, isolados ou inconscientes de toda a realidade como um todo, lutando para se manter saudáveis por meio de alimentação de qualidade (cara), hábitos físicos próprios (gastando ainda mais tempo e esforço), uma mente saudável (isolando-se do imaginário geral e caçando, com muita dificuldade, o conhecimento em meio à profusão cultural horrenda da literatura e das “artes” atuais), uma massa urbana repleta de obesidade, doenças físicas e mentais de nascimento, sem formação espiritual e até mesmo sem capacidade biológica para tal, se avoluma em quantidades catastróficas por meio de enormes quantidades de nascimentos. E é o Estado assistencialista quem deve sustentar os filhos dessa gente irresponsável e inconsequente, cujos gastos certamente vêm do imposto de quem mais trabalha e mais pensa, os mesmos que estão sem tempo e sem dinheiro o suficiente para ter filhos e dar-lhes uma vida e uma formação dignas. Eis aqui mais um ciclo tenebroso: o aparato da civilização está se voltando contra ela mesma, está selecionando artificialmente os piores indivíduos quando a natureza por conta selecionava apenas os melhores, tornando possível a vida humana como ela é (ou como ela foi em seu ápice, antes da revolução agrícola). Civilização sem eugenia é barbárie controlada. Somemos a isto a ideologia do aborto, promovida entre as classes mais inteligentes, mas que, quando acontece de um feto ser defeituoso, o discurso muda da noite para o dia e a peste, ao invés de ser sacrificada aos deuses como se fazia em Esparta, é idolatrada como uma vítima em uma época em que a vítima é a que dita as regras.

Voltemos à Grécia antiga, lancemos um olhar para nossos antepassados, para quem o bom era o belo e o belo era o bom. O tosco deve ser esmagado com fúria germânica e sabedoria chinesa. 

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